A propósito do Dia Mundial da Saúde Mental, a Gi Group Holding alerta para uma nova forma de fadiga mental e partilha dicas para quem trabalha diariamente com IA.
A inteligência artificial entrou nas empresas com uma promessa clara: realizar as mesmas tarefas em menos tempo e libertar as pessoas para atividades de maior valor. No entanto, a velocidade com que hoje se executa o trabalho pode trazer um efeito perverso — o tempo poupado é rapidamente preenchido com novas tarefas, acelerando o ritmo sem que se dê conta. No âmbito do Dia Mundial da Saúde Mental, assinalado a 10 de outubro, a Gi Group Holding alerta para esta realidade e partilha cinco recomendações para quem usa IA diariamente, proteger o seu bem‑estar.
No dia a dia de muitas equipas, este cenário torna-se cada vez mais comum. Um relatório, que antes ocupava uma tarde, pode agora ser gerado em minutos — e a tentação é produzir três versões em vez de uma, para depois comparar e rever. Uma campanha multiplica-se em variações quase sem esforço. E há profissionais que deixam de “executar” para passar a supervisionar as ferramentas que executam: validam outputs, controlam qualidade e decidem quando intervir. O trabalho não desaparece; transforma-se. E, sem regras claras, pode mesmo aumentar.
A investigação internacional começa a dar sinais neste sentido. Um estudo da Universidade da Califórnia em Berkeley, observou que a introdução da IA generativa levou a uma intensificação do trabalho, com os profissionais a assumirem mais tarefas em simultâneo.
Quando este ritmo não é gerido, pode ter um custo, que investigadores do Boston Consulting Group (BCG) e da Universidade da Califórnia em Riverside designaram por “AI brain fry”: fadiga mental resultante do uso ou da supervisão de ferramentas de IA para lá da capacidade cognitiva de cada pessoa.
Um estudo publicado na Harvard Business Review auscultou trabalhadores de grandes empresas nos EUA e concluiu que esta fadiga está associada a um aumento de erros, maior desgaste na tomada de decisão e maior intenção de sair da empresa. O risco é mais elevado entre quem utiliza várias ferramentas em simultâneo ou supervisiona múltiplos agentes de IA — frequentemente profissionais reconhecidos pelo seu alto desempenho.
Em Portugal, o contexto já é exigente.
Segundo o mais recente relatório do Laboratório Português de Ambientes de Trabalho Saudáveis, mais de 85% dos trabalhadores apresentam pelo menos um sintoma de burnout e 41% referem quatro sintomas em simultâneo. Por isso, para aprender as boas práticas e proteger a saúde mental, a Gi Group deixar 5 recomendações:
5 dicas para proteger a saúde mental de quem trabalha com IA
1.Defina o que é “suficientemente bom”
A facilidade de gerar mais uma versão pode transformar uma tarefa simples num ciclo de revisões sem fim. Antes de começar, decida o resultado de que precisa e pare quando o atingir. Exemplo: limitar-se a duas versões de um texto antes de escolher uma.
2. Menos ferramentas abertas, mais foco
Cada ferramenta é mais uma fonte de informação a acompanhar. Sempre que possível, trabalhe com uma ferramenta de cada vez e evite ter várias conversas ou agentes de IA a correr em paralelo. Exemplo: escolher uma ferramenta de referência para cada tipo de tarefa.
3. Proteja tempo de concentração e pausas longe do ecrã
Rever e corrigir o que a IA produz exige atenção constante. Reserve blocos de trabalho sem notificações e faça pausas reais, sem trocar uma ferramenta por outra. Exemplo: uma pausa curta, fora do ecrã, entre tarefas exigentes.
4. O tempo que a IA poupa não tem de ser logo preenchido
Se uma tarefa passou a demorar metade do tempo, isso não significa que tenha de fazer o dobro. Quando o volume de trabalho começar a acumular, fale com o seu manager para definir prioridades. Por exemplo: perguntar o que pode deixar de ser feito quando surge uma nova tarefa.
5. Reconheça os sinais e fale sobre eles
Dificuldade de concentração, decisões mais lentas ou a sensação de “nevoeiro mental” no fim do dia são sinais a não ignorar. Partilhe com a equipa o que funciona e o que está a gerar sobrecarga e, se o cansaço persistir, procure apoio.
“A inteligência artificial veio para ficar e pode ser uma grande aliada no dia a dia. Mas ganhar tempo não significa acumular mais trabalho. Gerir o próprio ritmo, reconhecer limites e pedir ajuda quando necessário, são competências tão importantes como saber usar a tecnologia”,
Rita Mexia, Executive Manager Healthcare, Life Sciences & Contact Center da Gi Group.
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